Black Devils

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Black Devils

Mensagem por Winston Churchill em Ter Jul 16, 2013 10:59 am

Por Guy Simonds

A história sobre a Primeira Força Especial formada pelos Canadá-EUA, Black Devils.

“A representação da herança da América do Norte, a união entre os mineiros de Ontário com os vaqueiros do Texas”.
Com as tensões crescente em solo europeu e a abertura de um novo front neste teatro, surge a necessidade de treinar e capacitar tropas, para a formação de unidades paraquedistas capazes de empreender missões de sabotagens em território inimigo.

Devido a tal diretriz, essas tropas deveriam ter um treinamento incomum de outras unidades, seu treinamento deveria ser mais rigoroso, mais duro e mais diversificado para atuar em qualquer teatro de operações que exigisse seu pleno emprego.Canadá e Estados Unidos resolveram criar esta unidade.

Os membros desta unidade deveriam ser voluntários, retirados das fileiras de outras unidades do exército. Todos os voluntários, oficiais ou não, deveriam sofrer um exame detalhado sobre suas condições físicas e se estaria apto para todos os pré-requisitos exigidos.
Após a aprovação o voluntário deveria ir para Helena, em Montana, no campo ainda em construção no Fort William Harrison até a conclusão do curso.

Chegando lá os diferentes uniformes causavam um estranhamento à primeira vista. Uniformes de diferentes unidades dos exércitos canadenses e americanos eram visto no campo de treinamento, porém, logo essa questão foi resolvida, quando o padrão do uniforme americano foi adotado.

O espírito da formação deveria ser:
“... a representação da herança da América do Norte, a união entre os mineiros de Ontário com os vaqueiros do Texas juntos no trabalho de fazer os melhores malditos do mundo unidos, para o terror de nossos inimigos...”.

O treinamento era baseado em três fases. A primeira consistia em treinamento de paraquedismo, táticas de unidades pequenas, técnicas de apuramento na utilização de armas era necessário que todos os soldados e oficiais deveriam que dominar armas de infantaria como o rifle de M1, pistola, carabina, BAR, metralhadora pesada e leve, bazuca, morteiro, lançador de chama e granadas.

O paraquedismo era treinado em passos acelerados, 48 horas após o treinamento de infantaria, os homens estavam pulando em C-47 e depois de 24 horas estariam dando seu segundo salto.

Os que não conseguiam atingir este objetivo eram redirecionados a suas unidades originais. Na segunda bateria de exame, estava o que mais os homens adoravam, técnicas de explosivos de demolição, com o qual vitimaram um banheiro, uma garagem e várias lixeiras, depois deste estágio, tinha a instrução de estratégia de combate em unidades táticas.

A fase final consistia em esquiar, escalar rochedos, adaptação em clima de muito frio e operar o veículo desenvolvido originalmente para as missões da Black Devils, o Weasel. O intenso treinamento físico e psicológico estava presente em todas as três fases para manter um alto nível físico na unidade especial.

O treinamento anfíbio, descarregamento de cargas e o assalto em praia, foi incluído no treinamento após a guerra nas Ilhas Aleuta.
Em certas rotas da Europa, especificadamente na Noruega, da Itália e dentro da Alemanha, estão cobertas por neve durante períodos de 60 à 250 dias. Um veículo especial deveria ser desenvolvido para permitir o deslocamento de tropas sobre a neve em uma velocidade maior do que as tropas inimigas, sem que estes não pudessem seguí-los.

Com a criação deste veículo com estas aptidões, blindado, com armas leves para a sua defesa e que pudesse carregar uma tripulação pequena, junto com unidades bem treinadas, surtiriam um efeito considerável contra as posições inimigas. Para isso foi desenvolvido o Weasel, porém após as mudanças das diretrizes da unidade, que passaria para sabotagem e combate, o veiculo ficou obsoleto.

Para evitar as denominações “Rangers”, “Commandos” e “Parachute Infantry”, o Coronel Robert T. Frederick , nomeou a força como : “First Special Service Force”. A FSSF foi ativada em 20 de julho de 1942, em Helena no Estado de Montana, EUA.

O primeiro trabalho dos demônios: eles vão para o Oriente!
No ataque às Ilhas Aleutas contra a base fortificada do Exército imperial japonês, a FSSF tinha a oportunidade perfeita de provar o que fora treinado. As condições eram idênticas ao seu treinamento, tempo frio e lutas em montanhas. O ataque começou no período de 9 de julho até 21 de agosto de 1943.

Segundo as informações da inteligência, esta Ilha possuía uma fortificação que contava com algo em torno de 12.000 japoneses, porém, com o progresso da invasão, ficou evidenciado que não havia nenhum inimigo.

Em vez de posições fortemente defendidas, eles acharam cabanas e fortificações vazias. Foi concluído que o bombardeio vindo do mar e ar tenha provocado uma moral tão baixa nos japoneses que estes tenham fugido temendo que não teriam a mínima condição de deter uma invasão aliada à Ilha. Porém, este foi um exercício valoroso a FSSF.

Os demônios na Itália: os demônios atingem Difensa e Remetanea.
Em 19 de novembro de 1943, justamente dois meses após a invasão nas Ilhas Aleutas, a FSSF desembarca na Itália. Neste momento, as forças alemãs pararam o avanço do Quinto exército americano em todos os lugares da Itália.

Pesadas baixas foram infligidas aos Aliados, durante a ofensiva a pontos fortemente protegidos pelos alemães e para avançar para o Norte, era necessário tomar dois lugares altamente estratégicos e fortemente protegidos por forças de ocupação alemã: Monte la Difensa e Monte la Remetanea.

Em 22 de novembro, o quartel general do quinto exército dos EUA, destacou o Coronel Robert T. Frederick e a FSSF, a missão de assaltar as duas montanhas. Em 1 de dezembro, a FSSF mudou a sua posição através de caminhões, até a base do Monte la Difensa e depois 12 horas de marchas em subida até o ponto de proteção marcado.

Alguns homens tinham medo do que poderia vir, outros apenas seguiram o Coronel, que ficou presente até o final da missão, porque ele acreditava no potencial de seus homens.

A FSSF moveu-se durante a noite e se escondeu de dia, quando já estava em território inimigo. Era um território em que estava a 900-1000 pés da base da montanha à um ângulo de 65 graus, por este caminho,que até era perigoso para os camponeses, a FSSF estava escalando a rota oposta do 2 Regimento alemão, que nesta hora estava também sobre os rochedos.

Com muita ajuda da sorte e da perícia dos combatentes da FSSF, os alemães de nada perceberam a sua passagem para o topo, de onde viam as chamas da briga pelo Monte la Difensa.

O objetivo do ataque da FSSF tinha a expectativa de 3 a 4 dias de ataques sobre o ponto, porém, o ataque da FSSF durou apenas 2 horas! Os homens lutaram duro, com grande determinação, após o assalto os homens ficaram exaustos e foram para as posições defensivas antes de um contra-ataque.

Suprimentos eram indispensáveis para a sobrevivência da FSSF, tudo foi carregado pelas mochilas dos soldados. De tempos em tempos, os soldados chegavam com munições e comida, mesmo que custasse o enfrentamento com os snipers alemães.

Após três dias no topo do Monte la Difensa, muito dos soldados tiveram ulceração, porque nenhuma manta veio com o equipamento e eles só tinham as pedras como material para construir suas camas, após muita espera o 1 Regimento chegou, determinando o final da missão em Difensa.

Após a sua refeição, tiveram a segunda missão, o Monte la Rematanea.
Um ponto, que segundo alguns peritos era extremamente impossível, a FSSF, tomou o Monte la Rematanea sem muita resistência, tendo o próprio Coronel Robert, ferido duas vezes durante o combate.

A FSSF continuou lutando no Mediterrâneo, Monte Sammucro (25 de dezembro de 1943), Radicosa (4 de janeiro de 1944) e o Canal de Mussolini (Anzio) em 2 de fevereiro até 10 de maio de 1944.

Durante a missão em Anzio, a FSSF, devido a sua bravura, os alemães a apelidaram de “The Black Devils”
Antes do ataque a Roma, a FSSF estava na sua melhor forma, 2000 homens entraram por doze dias de treinamento rigoroso de assalto e de duro combate as 6:30 da manhã, hora do início da ofensiva, no dia 23 de maio de 1944, as forças de ataque tinham sete divisões, incluído uma divisão blindada. A FSSF tinha a honra de ser a principal força de ataque do lado aliado, no dia, atingiu a passos rápidos os seus objetivos primários, após 4 dias de ataque a FSSF junto com as forças aliadas, já rompiam as linhas de defesa alemã.

Com o tempo ganho neste ataque, a FSSF teve tempo de constituir sua linha de defesa e organizar uma linha de suprimentos em Valmontone.
O grande prêmio de entrar em Roma, já estava perto, a FSSF recebeu ordens para o ataque antecipado, no dia 4 de junho de 1944, às 01:00. A entrada nos limites de Roma, antes de 6:20 da manhã, fora alcançada pela FSSF.

A maior resistência encontrada pelas forças invasoras, foram os QG´s do 14 Exército alemão, localizado após as pontes no Norte de Roma, porém o ataque da FSSF as posições alemãs, surtiram efeito, um por um, as posições nazistas estavam sendo derrotadas pela força invasora.
Finalmente Roma estava próxima, após a derrota dos alemães a FSSF teve a grande honra de ser a primeira tropa aliada a entrar na “Cidade eterna”, sendo o principal feito, o ponto culminante da história da FSSF.

Os demônios no Sul da França, a sua história estava chegando ao fim.
Em 7 de setembro de 1944, a FSSF estava nas Ilhas no Sul da França completando com sucesso aquela que seria sua última missão, lutando até 30 de novembro de 1944, fazendo 12.000 baixas no exército inimigo e mais de 7.000 prisioneiros, durante suas campanhas no Sul da França e na Itália.

Em 5 de dezembro de 1944 a FSSF chegava ao fim, era um dia triste para a FSSF.

Era duro imaginar que estes homens que fizeram parte da unidade de combate mais feroz da SEGUNDA GUERRA MUNDIAL que temeram e respeitaram pelo inimigo, estava ao fim. Seu homens foram transportados para Helena.

Este grupo binacional nunca olhou um ao outro como sendo canadense ou americano, eles tinham se tornado os irmãos dos graus que lutam para a causa comum de liberdade. Os últimos dias da FSSF foram gastos para relembrar as suas lutas e procurar velhos amigos de luta.

Os canadenses foram ordenados para retornar as unidades respectivas e os americanos foram designados para a “Airbone” ou para formar o 474º Regimento de Infantaria.

O coronel Robert T. Frederick, nunca foi achado atrás de uma mesa ou na retaguarda, durante as campanhas da FSSF, sempre foi um homem respeitado pelos seus soldados e que conquistara o posto de Major-General aos 37 anos de idade, coisa inédita na história militar dos EUA.
Ele fora ferido oito vezes e por ter uma personalidade assim, foi chamado de “filho estúpido de uma cadela” por um general da época e após ser promovido ficou no comando da 45º divisão do Exército dos EUA.

Os homens da FSSF, canadenses e americanos, formaram a unidade de operações especiais mais destemida no conflito, onde seu principal lema era: “Não temos que argumentar o por quê e sim o de fazer ou morrer”.

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"Truth is incontrovertible. Panic may resent it; ignorance may deride it; malice may distort it; but in the end, there it is."

"Arm yourselves, and be ye men of valour, and be in readiness for the conflict; for it is better for us to perish in battle than to look upon the outrage of our nation and our altar. As the will of God is in Heaven, even so let it be."

"I will begin by saying what everybody would like to ignore or forget but which must nevertheless be stated, namely that we have sustained a total and unmitigated defeat, and France has suffered even more than we have....the German dictator, instead of snatching the victuals from the table, has been content to have them served to him course by course."
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