Aviões do Graf Zeppelin

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Aviões do Graf Zeppelin

Mensagem por Winston Churchill em Seg Jul 15, 2013 5:12 pm

Por Walter Dornberger

AVIAÇÃO NAVAL ALEMÃ. 
Ao contrário de outras marinhas contemporâneas, a Kriegsmarine não possuía Aviação Naval própria. Todas as aeronaves, baseadas na costa ou à bordo de navios, estavam sob o comando operacional da Luftwaffe, pilotadas por oficiais da Luftwaffe, de acordo com a ordem de Goering: “Tudo que voa me pertence!”

O resultado desse conflito é que, previsivelmente, o braço naval da Luftwaffe nunca foi tão efetivo quanto o das forças aliadas, em parte pelo fato de que o planejamento operacional de seu uso era feito pela Força Aérea e não pela Marinha. Apenas os cerca de 30 hidroaviões a bordo dos navios estavam operativamente sob o comando da Kriegsmarine. Apesar do número muito baixo de aeronaves disponíveis para missões navais (menos de 200, 5% do efetivo total da Luftwaffe), essas aeronaves desempenharam uma ampla gama de tarefas. De patrulhamento costeiro e caça aos submarinos aliados a missões de busca e resgate, passando por missões de reconhecimento em apoio aos U-Boat no Atlântico Norte, e inclusive em missões especiais abastecendo os submarinos alemães no Mar de Barents ou levando suprimentos às estações meteorológicas no Ártico.

A CRUZADA DE RAEDER 
A história do Porta-aviões Graf Zeppelin é em grande parte a história de uma cruzada pessoal do Almirante Erich Raeder, terçando armas numa luta desigual tanto contra o poderoso Marechal Hermann Goering, dono não apenas da Luftwaffe como de boa parte da indústria alemã, quanto contra o igualmente influente Almirante Karl Doenitz, defensor da força de submarinos.

Em 1935, Adolf Hitler anunciou que a Alemanha iria construir porta-aviões para fortalecer a Kriegsmarine. Nesse ano, uma missão naval alemã visitou o Japão, para obter informações técnicas sobre porta-aviões, acompanhando a reconstrução do porta-aviões Akagi. As quilhas de dois navios desse tipo começariam a ser batidas no ano seguinte. Dois anos depois, o Almirante Erich Raeder apresentou um ambicioso programa de construção naval, o chamado Plano Z, prevendo a construção de quatro porta-aviões em 1945, número reduzido em 1939 para dois.
De acordo com a tradição naval alemã, o nome de um navio só é atribuído no seu lançamento. O primeiro porta-aviões, até então chamado simplesmente de “Flugzeugträger (porta-aviões) A”, foi nomeado Graf Zeppelin, em homenagem ao conde Ferdinand von Zeppelin, o criador dos “navios voadores” dirigíveis, tendo a filha do falecido conde, condessa Hella von Brandenstein-Zeppelin, batizado o navio em 8 de dezembro de 1938.O segundo navio permaneceu apenas de “Flugzeugträger B”, uma vez que nunca chegou a ser lançado. Vários nomes, incluindo Peter Strasse e Deutschland, foram propostos, mas a decisão oficial nunca foi pronunciada.

No início da guerra o Graf Zeppelin estava cerca de 85% completo, com a maior parte de suas máquinas instaladas. O ritmo de sua construção seguiria ao sabor das mudanças no pensamento naval alemão, temperado pela luta Raeder x Goering x Doenitz e pelos eventos da guerra. A escassez de materiais e mão-de-obra (somadas à “boa vontade” de Goering, senhor de boa parte da indústria alemã) levou à paralisação dos trabalhos no Graf em abril/maio de 1940. O esforço de construção naval se concentrou na frota de submarinos de Doenitz e as armas do Graf Zeppelin, já instaladas foram removidas e colocadas na Noruega para defesa costeira. Todos os trabalhos no navio “B” foram definitivamente suspensos, levando a ala submarinista a decretar que um único porta-aviões operando em águas hostis dentro do alcance da aviação inimiga baseada em terra seria impraticável. Típico caso de profecia que se cumpre a si mesma. O “B” foi desmontado como sucata em fevereiro de 1942.

A vitória inglesa em Taranto contra a Marinha Italiana reacendeu o interesse pelo navio, e a pedido de Raeder Hitler ordenou a Goering que produzisse os aviões necessários. O Reichsmarshall mais uma vez interferiu, alegando que tudo que poderia ceder seriam versões adaptadas dos caças Messerchmit 109-E e do bombardeiro Stuka B, que estavam sendo desativados da linha de frente pela Luftwaffe. A ausência de aeronaves especificamente desenhadas para operar à bordo forçou ao redesenho e alteração do convés de vôo do navio, mais uma vez atrasando o projeto, para desgosto de Raeder, que teve de aceitar aquilo ou nada!

Em março de 1942, novamente, o interesse pelo Graf Zeppelin foi reavivado pela ação dos porta-aviões britânicos, defendendo os comboios de Murmansk contra o Tirpitz. Raeder insistiu em que o porta-aviões era necessário para proteger os incursores alemães de superfície em seus ataques contra os comboios aliados. Entre maio e dezembro de 1942 os trabalhos no navio recomeçaram, mas por essa época se constatou que os Messerchmitt e Stukas designados para o navio já estavam completamente obsoletos! Após a batalha do mar de Barents contra o combio JW51b todo o trabalho de construção naval em unidades de superfície foi definitivamente encerrado.

Em 1943, Hitler estava desencantado com a Kriegsmarine. Raeder pediu e obteve seu afastamento definitivo e Doenitz, o submarinista, assumiu o comando da Marinha alemã. Era o fim do sonho do porta-aviões alemão.

O FIM DO GRAF ZEPPELIN
Rebocado para Stettin em abril de 1943, onde permaneceu até o fim da guerra, o Graf Zeppelin foi afundado por sua própria tripulação em 25 de abril de 1945. Recuperado pelos soviéticos, foi rebocado para Swinemünde e renomeado PA.101 (Base flutuante 101) em 3 de fevereiro de 1947. Havia um forte interesse então dos russos em desenvolverem uma aviação naval própria e o Graf Zeppelin foi muito estudado, havendo inclusive uma proposta de terminar sua construção. Mas decidiu-se usa-lo como alvo, tanto para cumprir os acordos com os Aliados (um navio alemão incompleto ou danificado deveria ser afundado em águas profundas de acordo com a Comissão Tripartite Aliada) como para demonstrar aos soviéticos a resistência desse tipo de navio. Em 16 de agosto de 1947 o Graf Zeppelin enfrentou seu primeiro e último “combate”. 24 bombas foram montadas a bordo, incluindo duas de 1000kg, duas de 500kg, três de 250kg e cinco de 100kg, além de quatro granadas de artilharia de 180mm. A explosão dessas cargas, com o intuito de simular danos de combate, destruiu o convés de vôo, hangares e a chaminé, deixando porém a ilha intacta: o navio ainda teria condições de operar. Mais seis bombas foram lançadas por bombardeiros de mergulho e dois torpedos de 533mm foram disparados pelo torpedeiro OE-503 e pelo destróier Slavniy. O último torpedo liquidou o navio: em 23 minutos após o impacto, o Graf Zeppelin afundava.

FIESELER 167, OBSOLETO MAS EFICIENTE
Desenhado como avião torpedeiro e de reconhecimento primário para os porta-aviões alemães, o Fi-167 saiu vencedor em 1938 da competição com o Arado-195 para prover a equipagem básica do Graf Zeppelin. Como seu famoso irmão, O Fieseler 156 Storch, o Fi-167 tinha surpreendente capacidade de manobra a baixa velocidade. Numa demonstração o próprio projetista Fieseler fez o avião baixar de 3.000 para 30 metros, quase parado no ar, voando contra o vento, com pleno controle. Esperava-se que o aparelho pudesse pousar quase verticalmente mesmo em um navio em movimento. Dois protótipos mais doze modelos de pré-produção foram construídos, excedendo por larga margem todos os requerimentos. Além das insuperáveis características de manejo, a carga de armamento era o dobro da especificada. Com a suspensão dos trabalhos no Graf Zeppelin em 1940, os Fi-167 completados foram entregues para serviço na Luftwaffe onde formaram a unidade Erprobrungsgruppe 167, executando missões de patrulha naval na Holanda. Durante a retomada dos trabalhos no navio em 1942 o Fi-167 foi substituído pelo Stuka Ju-87C como aeronave naval de reconhecimento e bombardeio em mergulho, cancelando-se a dotação de um torpedeiro para o Graf. Nove deles foram vendidos para a Romênia em 1943, com os demais sobreviventes sendo usados para testes de configuração de trens de pouso em Budweis, Tchecoslováquia, aproveitando-se suas excepcionais características STOL. Biplano de construção sólida e elegante, decerto o Fi-167 estava obsoleto nos anos 40. Mas com certeza ele se encontrava uma geração à frente dos Swordfish que tão bem desempenharam sua missão em Taranto.

VELHOS CAVALOS DE BATALHA: OS MESSERCHMITS E STUKAS NAVAIS. 
O Me 109T era a versão navalizada do modelo 109E. Com a fábrica da Messerchmit totalmente comprometida com a produção de Bf-109 e 110 para a Luftwaffe o trabalho no 109T foi repassado para a fábrica Fieseler. Cerca de 70 aviões dessa versão foram construídos. 10 aviões do modelo T-0, na verdade Me 109E-3 modificados, com asas ampliadas para 11,06 metros de envergadura, gancho de parada, pontos de fixação para catapulta, asas dobráveis (requerendo a desmontagem dos flaps para isso) e trem de pouso reforçado. Estavam disponíveis para avaliação no inverno de 39-40, mas com a paralisia nos trabalhos do Graf Zeppelin acabaram sendo usados na Luftwaffe pelo I/JG 77. Os 60 aviões seguintes (modelo T-1), completamente construídos pela Fieseler, acabaram tendo todo o equipamento naval removido (renomeados T-2) e foram entregues para operação com o JG 5. A capacidade de operação em pistas reduzidas foi considerada útil em campos de pouso semipreparados, tendo os aviões operado na Noruega entre 1941 e 1942, sendo depois transferidos para o mar do Norte, onde formaram uma unidade de defesa aérea em Heligoland até o final de 1944.

O Stuka naval, Junkers Ju-87C, era uma versão adaptada do Ju-87B, que se manteve em produção entre 1938 e 1940. As modificações do modelo C em relação ao B eram essencialmente adaptações para o uso à bordo: reforços estruturais, asas desmontáveis, gancho de parada e um trem de pouso ejetável para pouso de emergência no oceano (como o Stuka tinha trem de pouso fixo, uma amerrisagem “de barriga” era impossível e seria catastrófica, com o capotamento do avião no impacto com a água!). Um protótipo do Ju-87C-0 chegou a ser completado e vários outros estavam em construção quando a construção do Graf Zeppelin parou em 1940. Os aviões foram posteriormente reconstruídos pelo padrão Ju-87B. Quando se cogitou a retomada da construção do navio em 1942, o Stuka C estava completamente obsoleto. Em seu lugar foi proposto o modelo Ju-87D, com previsão de se adaptà-lo para o lançamento de torpedos. As modificações com relação ao Stuka D terrestre seriam as mesmas do modelo C , mas nenhuma aeronave chegou a ser completada. Um dos Stukas C, com trem de pouso ejetável, usado pela Luftwaffe chegou a executar a manobra de ejeção para amerrisagem: atingido pela flak no ataque à base naval polonesa de Hela em 1939, o piloto descartou o trem de pouso preparando-se para pousar no mar, mas conseguindo retomar o controle do avião, levou-o de volta à base, pousando de barriga.

ME-155, DE CAÇA NAVAL A INTERCEPTADOR DE B-29 ... NO PAPEL! 
Com a retomada do interesse no término do Graf Zeppelin em 1942, constatou-se que a versão T do Me-109 proposta para uso naval já estava completamente obsoleta e um novo desenho foi solicitado à Messerchmit. Originalmente designado Me-109ST, o Me-155 era uma evolução do do Bf 109G convencional. Otimizado para decolagens curtas, o Me-155A apresentava com relação ao Me-109 padrão uma asa de maior sustentação e um trem de pouso reforçado para operação à bordo. Previsão para asas dobráveis, pontos de fixação para catapulta e gancho de parada foram previstos no desenjo, que estava pronto para pré-produção em setembro de 1942. Com o novo congelamento dos trabalhos no Graf Zeppelin, o projeto foi suspenso.

Os relatórios de Inteligência sobre o desempenho dos bombardeiros americanos B-29 chegaram às mãos da Luftwaffe no início de 1942, causando grande preocupação. Com um teto operacional estimado em 10.000m, a nova arma estava fora do alcance operacional de praticamente todos os aviões alemães da época. Um novo caça para interceptação em altitudes elevadas era necessário.

A fábrica Messerchmit começou a trabalhar na adaptação do Me-155 para esse fim. Como a asa modificada foi considerada adequada para desempenho em altitude, a versão Me-155B foi projetada, com o equipamento naval removido, novo motor DB-628 (um Daimler-Benz 605 com turbocompressor mecânico de dois estágios e radiador de indução tipo intercooler), cabine pressurizada e fuselagem estendida. Em maio de 1943, um Bf-109G adaptado com os equipamentos do Me-155 alcançou o teto de 17.000 metros. Uma altitude operacional de 15.000 metros para o novo caça foi considerada perfeitamente viável, permitindo a interceptação do B-29. Como a fábrica Messerchmit estava sobrecarregada de trabalho com o Me-109 convencional e o novo jato Me-262 o trabalho no novo avião foi transferido para a fábrica Blohm und Voss. A equipe da BV, uma tradicional fabricante de hidroaviões, decidiu que o caça da Messerchmit era inadequado e devia ser completamente redesenhado, o que após longas brigas e acusações levou ao abandono da participação dos projetistas da Messerchmit no projeto. Os projetistas da BV tocaram o projeto, agora renomeado BV-155, redesenhando o avião até o último parafuso algumas centenas de vezes. Ainda estavam nesse processo quando a guerra acabou em abril de 1945. O protótipo V-3 foi levado para os EUA, onde se encontra em um Museu. Felizmente, as B-29 nunca vieram!

WHAT...IF... E SE OS SOVIÉTICOS COMPLETASSEM O GRAF ZEPPELIN? 
Um porta-aviões era um velho sonho da Marinha de Guerra soviética. Uma proposta de Stalin para a construção de dois navios desse tipo na década de 30 foi atrasada pelos expurgos militares de 1936 seguidos pela eclosão da guerra. A tentação de completar o já bem adiantado Graf Zeppelin com certeza existiu, embora consistisse em uma violação dos acordos com os Aliados e esbarrasse na necessidade urgente de reconstruir um país duramente devastado pela guerra. O Graf Zeppelin acabou indo ao fundo, com certeza ajudando a Marinha soviética a começar a desenvolver táticas para combater a enorme frota aeronaval de seu ex-aliado americano, e o primeiro porta-aviões russo, o Kusnetzov, só seria lançado ao mar em 1991, já nos estertores do Império soviético. Mas e se... Um porta-aviões russo apoiando o bloqueio de Berlim? Um Shturmovik naval? Um interessante site sobre modelismo especulativo!

http://www.whatifmodelers.com/groupbuilds/dacomrade/alvispetrie.htm

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Re: Aviões do Graf Zeppelin

Mensagem por Dornberger em Ter Jul 16, 2013 8:53 am

Link atualizado para o site mencionado em "WHAT...IF... E SE OS SOVIÉTICOS COMPLETASSEM O GRAF ZEPPELIN?".
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