Duvida sobre rifle(fuzil?) winchester

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Duvida sobre rifle(fuzil?) winchester

Mensagem por Saburo Sakai em Qua Out 09, 2013 4:18 pm

Saudações niponicas!

Me surgiu uma duvida: o Winchester classico foi usado na primeira guerra mundial?

Nas minhas primeiras buscas mais superficiais nao encontrei nenhuma informação muito boa.

Grato desde ja
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Saburo Sakai

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Re: Duvida sobre rifle(fuzil?) winchester

Mensagem por Dornberger em Qui Out 17, 2013 1:43 pm

Saburo Sakai escreveu:Saudações niponicas!

Me surgiu uma duvida: o Winchester classico foi usado na primeira guerra mundial?

Nas minhas primeiras buscas mais superficiais nao encontrei nenhuma informação muito boa.

Grato desde ja
Konichiwa, Saburo-san!
Primeiro, rifle ou fuzil? Rifle é terminologia anglo-saxônica para arma longa de cano raiado. A versão de cano mais curto, normalmente usada para armar a cavalaria é chamada de carbine. Seria o equivalente ao fuzil e à carabina em português.
Suponho que por "Winchester clássico" você queira dizer os modelos de ação por alavanca, do tipo que se vê nos filmes de cowboy.
O primeiro fuzil de alavanca operacional foi o Henry .44 de 1860. Houve antecessores, mas o Henry foi o primeiro suficientemente prático para ser operado num campo de batalha.
Foi usado em pequeno número durante a Guerra Civil americana, comprado particularmente por soldados que levavam suas vidas a sério. Num conflito onde ainda havia gente equipada com mosquetes de cano liso de carregar pela boca o Henry era chamado pelos confederados de "aquela maldita arma yankee que você carrega no domingo e atira a semana inteira"!
Oliver Winchester, que fez fortuna fabricando camisas, era o principal acionista da fábrica que produzia o Henry. Quando ele assumiu o controle da fábrica, resolveu investir no aperfeiçoamento do modelo.
A primeira Winchester propriamente dita foi o modelo 1866, chamado de "Yellow Boy", por causa da caixa da culatra em metal amarelo. Esse modelo conquistou reputação militar durante a guerra entre turcos e russos em 1877, quando no cerco de Plevna soldados turcos armados com o 1866 e em esmagadora desvantagem numérica inflingiram uma derrota acachapante ao Império russo, mostrando ao mundo que o futuro da guerra pertencia às armas de repetição. Aqui no Brasil foi adotada pela Cavalaria, mas não foi bem sucedida por um problema na fabricação da munição.
Mas o modelo que consolidou a marca foi o 1873, a arma que conquistou o Oeste americano. Dele se diz que matou mais gente, boa ou ruim, que qualquer outra antes dele (um título que hoje em dia cabe sem dúvida ao AK-47 russo!). Apesar de ter sido pouco utilizado militarmente de modo oficial, esteve em um sem número de conflitos nas mãos de batedores do exército americano, índios, cangaceiros nordestinos, jagunços, seringueiros, policiais e combatentes irregulares de todas as nações.
Para uso militar no final do século 19 o desenho Winchester tinha 2 problemas: primeiro o mecanismo era frágil para lidar com a potência dos cartuchos militares da época. Segundo, o carregador era em tubo, com a ponta de uma munição tocando a espoleta da outra. Com a adoção da munição "spitzer", de ponta aguçada, que proporcionava uma melhor balística, havia a possibilidade de um impacto na arma causar a detonação da munição.
Esses problemas foram parcialmente solucionados no modelo 1894, a Winchester definitiva, um projeto de ninguém menos que John Moses Browning (apenas o pai da pistola Colt calibre 45 e da metralhadora ponto 50, entre muitas, mas muitas outras coisas mesmo).
Essa arma era (e é, o desenho é usado até hoje em todas as cópias Winchester, como na carabina Puma da Rossi brasileira) capaz de calçar cartuchos modernos com pólvora sem fumaça, como o .30-30, mas cuja potência, comparada aos cartuchos militares da época, era considerada insuficiente. E havia a questão do carregador tubular, considerado obsoleto para uso militar, no qual era tendência da época o uso de clipes/pentes de carregamento.
Para tentar ganhar o nicho militar, a Winchester desenvolveu uma arma específicamente voltada para o mercado militar, o modelo 1895, que viu combate na Primeira Guerra nas mãos do exército russo, uma arma interessantísima sobre a qual eu falarei mais depois por falta de tempo.
Fechando o assunto, houve a utilização de Winchester 1894 em calibre .30-30 pelo exército norte-americano na Primeira Guerra, mas no front doméstico e não em combate.
Como os aviões da Primeira Guerra eram feitos essencialmente de madeira e lona, o fornecimento de certos tipos de madeira para uso aeronáutico tinha se tornado uma questão estratégica.
Entre essas madeiras estava o Sitka Spruce, um tipo de pinheiro da família do abeto, cujo fornecimento se viu ameaçado pela ação dos sindicatos de madeireiros na região florestal do Noroeste do Pacífico norte-americano, que tentaram aproveitar a ocasião para negociar melhores condições de trabalho.
Uma expedição do Corpo de Sinaleiros do US Army foi enviada em outubro de 1917 ao Oregon, comandada pelo Tenente-Coronel Brice P. Disque, para manter a ordem e garantir a continuidade do fornecimento de madeira, que além de ser usada internamente era exportada para a Inglaterra e França como parte do esforço de guerra.
Os soldados da expedição foram armados com 1.800 carabinas Winchester modelo 1894 calibre .30-30, encomendados diretamente dos estoques da fábrica para não atrapalhar o fornecimento de armas às forças combatentes.
Felizmente a situação se resolveu sem confronto, e as armas foram usadas apenas para funções de guarda e patrulhamento, sendo vendidas após o fim da guerra no mercado civil, sendo hoje das Winchester de coleção mais valorizadas.
Continuamos depois falando sobre as Winchesters militares 1895.
Após a
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Re: Duvida sobre rifle(fuzil?) winchester

Mensagem por Dornberger em Sex Out 25, 2013 10:17 am

Konichiwa, Saburo-san!
Com essa troca de horário de verão me bateu uma insônia (coisas da velhice) e eu me peguei acordado de madrugada assistindo "Austrália" (http://www.imdb.com/title/tt0455824/), um filme até que bom mas meio longo (quase 3 horas), ideal para um Corujão. Tem até umas cenas do ataque japonês a Darwin na 2GG (não era você dentro de um daqueles Zeros? Não, se não me engano foram os garotos do Fuchida, as águias de Pearl Harbor).
Enfim, o filme é um bom programa de casal, tem uma parte mela-cueca emotiva, com direito a garotinhos mestiços aborígenes cantando "Somewere over the Rainbow) pra mocinha loira aristocrata-que-desenvolve-consciência-social-adota-o-bastardo-vira-lata-e-casa-com-o-empregado-pobre-mas-machão (pronto, contei o filme). Mas tem também a parte macho-rock-idiota-adolescente, como a cena do ataque aéreo (de razoável a boa) e um monte de armas. Mais sobre as armas do filme no Internet Movie Firearms Database: http://www.imfdb.org/wiki/Australia_%282008%29
Então, quando o mocinho me apontou na cara uma Winchester 1895 lembrei de você, então vamos lá!
O modelo 1895 foi desenhado especificamente para o mercado militar, sendo o primeiro modelo da marca a utilizar um carregador tipo caixa ao invés do carregador tubular padrão da linha. Como eu já tinha dito, o carregador em tubo provocava risco de acidente com o uso de munição "spitzer" (ponta aguçada), devido à ponta de uma bala tocar a espoleta da outra dentro do carregador. Além disso, os militares da época tinham adotado como padrão o uso de pentes/clipes de munição, enquanto as Winchesters convencionais tinham de ser alimentadas bala-a-bala, num procedimento bem mais lento.
Além disso, o Winchester 1895 teve seu mecanismo reforçado para suportar a maior potência das munições militares, um desenho de John Browning em seu último trabalho para a fábrica.

O uso do carregador tipo caixa exigiu grandes modificações na tradicional ação de alavanca. O mais estranho para os acostumados com a Winchester " normal é que quando você aciona a alavanca a plataforma inteira do gatilho desce junto!
Mas o mecanismo é bem forte, o suficiente para lidar não só com a potência dos cartuchos militares como com a dos cartuchos de caça pesada africana, um nicho de mercado em que a arma foi muito bem sucedida.

O principal usuário militar da 1895 foi o Exército russo, que entre 1915 e 1917 comprou cerca de 300.000 (70% da produção total da arma) para suprir a carência de armas durante a Primeira Guerra. O modelo russo usava munição 7,62 x 54mm, a mesma do Moisin-Nagant regulamentar russo, sendo facilmente reconhecível pelo pequeno "trilho" no alto da arma que servia de guia para o pente (visível na imagem abaixo).

9.000 desses Winchesters russos foram parar na Espanha durante a Guerra Civil nas mãos das tropas da República.
O Winchester 1895 foi testado também pelo US Army sem ser adotado. Mas participaria da Guerra Hispano-Americana de 1898, onde a história da arma se cruza com a de Theodore Roosevelt, futuro presidente, soldado, caçador, amante de armas e fã por toda a vida da Winchester 1895.
Roosevelt organizou e comandou um corpo de voluntários nesse conflito, os famosos Rough Raiders, que ele pessoalmente equipou com fuzis 1895 em calibre .30 US Army.
Mais tarde em suas expedições de caça na África Roosevelt não se separaria de um par de 1895 em calibre .405 Winchester, que ele definia como "o melhor remédio jamais inventado contra leões".
Quando Ted Roosevelt esteve no Brasil entre 1913-1914, explorando a selva em companhia do futuro Marechal Rondon ele trouxe consigo essas armas, que se provaram um remédio adequado contra onças também!
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