O Pogrom de Cracóvia em 1945

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O Pogrom de Cracóvia em 1945

Mensagem por Runds em Sex Set 20, 2013 11:42 am


Data : 11 agosto de 1945 / Alvo : Judeus
O Pogrom de Cracóvia resultou na morte de 1 pessoa e 5 feridos. Em torno de 68 a 80 mil judeus viviam em Cracóvia antes da invasão alemã na Polônia. Em fins de janeiro/45, somente 500 ainda estavam nos arredores de Cracóvia quando o Exército Vermelho chegou na cidade. Com o fim da WW2, perto de 2 mil judeus que haviam fugido da cidade, retornaram para a cidade. Em maio/45, o número de judeus na cidade chegou a 6.637. O retorno da população judaica não foi bem vista, especialmente por Poloneses anti-semitas. A segurança da comunidade judaica de Cracóvia estava se tornando um problema muito sério, apesar de raramente haver manifestações anti-semitas registadas nas regiões rurais e pequenas cidades da Polônia. Em relação às atitudes da população polonesa para com os judeus no pós guerra, apresentava certa influência adquirida dos alemães durante a ocupação. Houve crescentes índices de roubos e assassinatos contra Judeus no decorrer da década de 40, sem que na maioria dos casos os autores fossem encontrados. Nesta época, eventos totalmente insignificantes, ou o menor rumor podia desencadear graves distúrbios. A atitude da população em relação aos judeus era um problema sério que exigia uma vigilância constante das autoridades. Em 27/junho/1945, uma mulher judia foi levada para “delegacia” de uma milícia local, e foi falsamente acusada de tentar seqüestrar uma criança Polonesa. Apesar do fato do inquérito revelar que a mãe havia deixado o filho sob os cuidados de familiares, os boatos começaram a se espalhar, de que uma mulher judia havia sequestrado uma criança Polonesa, para que isso justifica-se executa-la. A multidão gritando palavras de cunho anti-semitas se reuniram na praça Kleparski, porém um destacamento de outra milícia conseguiu colocar a situação sob controle. Falsas alegações de que os cadáveres de 13 crianças Polonesas supostamente haviam sido descobertos foram divulgadas. Até o dia 11/agosto, o número de "vítimas" já contava com 80 mortos Grupos de agitadores mais exaltados se reuniram na Praça Kleparski, onde começaram a atirar pedras na Sinagoga Kupa. No mesmo dia, um menino Polonês de 13 anos, que atirava pedras na sinagoga, quase foi pego por judeus que estavam no interior da sinagoga, mas o menino fugiu em direção ao mercado nas proximidades gritando "Socorro, os judeus tentaram me matar". Instantaneamente, a multidão adentrou na sinagoga Kupa e começou a espancar os judeus, que estavam orando no sábado de manhã. Os rolos da Torá que ali se encontravam foram queimados. O bairro judeu também foi atacado. Homens, mulheres e crianças judias foram espancados nas ruas; suas casas foram assaltadas. Alguns judeus feridos durante o pogrom foram hospitalizadas e mais tarde foram agredidos nos hospitais novamente pela população enfurecida. Uma das vítimas do pogrom testemunhou:

“Eu fui levado para a delegacia de uma milícia, onde chamaram uma ambulância. Havia mais 5 vítimas lá, incluindo 1 Polonês gravemente ferido. Na ambulância, ouvi comentários dos soldados de escolta e da enfermeira, de que nós éramos a escória e que não deviam estar nos ajudando porque nós éramos assassinos de crianças, e que todos nós deveríamos ser fuzilados. Fomos levados para o hospital de St. Lázaro, na rua Kopernika. Eu fui o 1º a ser levado para a sala de operação. Após a operação, um miliciano apareceu dizendo que ia nos levar para a cadeia.. Ele matou ali mesmo um dos judeus feridos, que estava sua vez de ser operado. Ele assegurou de que nem a um copo de água teríamos direito. Algum tempo depois, 2 funcionários da estrada de ferro apareceram e um deles disse: "É uma vergonha que hajam poloneses não tem a coragem de matar um judeu, seguindo-se um soco na cara de um dos judeus ali feridos. Um dos internos do hospital me bateu com uma muleta. “Mulheres Polonesas, incluindo enfermeiras estavam por trás das portas ameaçando-nos, dizendo que estavam apenas esperando sermos operados para que pudessem nos “quebrar” inteiros.”

Durante o pogrom alguns poloneses, confundidos com judeus, também foram atacados. O centro destes eventos foi Miodowa, Starowislna, Przemyska e Jozefa, ruas essas do bairro Kazimierz. Os distúrbios foram mais intensos entre as 11 da manhã e 1 da tarde, acalmando lá pelas 2, mas apenas para recuperar as forças e no final da tarde a sinagoga Kupa foi incendiada. Policiais e soldados Poloneses participaram ativamente destes eventos. Entre os 25 soldados acusados de incitação racial e ódio, contra os judeus, 12 eram oficiais. Algum tempo depois, o número de mortes foi por várias vezes contestada. A historiadora polonesa Anna Cichopek afirmou em sua tese de mestrado, que mais tarde virou livro, que todas as fontes históricas confirmaram apenas uma morte. No entanto, ela também observou que, em uma foto de arquivo de um funeral referente ao pogrom, havia 5 caixões visíveis, sugerindo que poderiam ter sido 5 mortos. Em 1946, ela notou que o New York Times, havia divulgado a “possível” morte de um homem chamado Anszel Zucker, e a agência Polska Prasowa observou a morte de uma mulher desconhecida, além dos 5 feridos. O historiador polonês, Dr. Julian Kwiek, que publicou documentos existentes sobre o pogrom de Cracóvia afirmou que os documentos citados por Cichopek não estavam de acordo com a literatura científica vigente na época. Ele afirmou que somente uma morte foi confirmada em todas as fontes históricas, portanto, era questionável se este evento realmente caia sob a definição de um Pogrom, embora a maioria das outras fontes se referem ao evento como tal. Outro historiador, Dr. Dariusz Libionka do Centro de Pesquisa do Holocausto da Academia Polonesa de Ciências, sugeriu que as fotos mostrando os caixões eram da primavera (24 de abril de 1946) do ano seguinte, de um funeral de 5 judeus fuzilados em 21 de abril de 1946 por partidários de Józef Kuras "Ogień" perto de Nowy Targ.
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