ORDEM DE BATALHA DA GEÓRGIA NO CONFLITO EM 2008

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ORDEM DE BATALHA DA GEÓRGIA NO CONFLITO EM 2008

Mensagem por Runds em Sex Set 20, 2013 11:41 am

O exército Georgiano consistia de 4 brigadas de infantaria regulares, além de 1 brigada em quinto no processo de formação. Uma brigada de artilharia estava estacionado em Gori e Khoni e 1 batalhão de tanques também foi estacionado em Gori. De acordo com o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, quando a guerra começou, os georgianos haviam acumulado 10 batalhões de infantaria leve das brigadas de infantaria 2, 3 e 4, bem como as forças especiais e 1 brigada de artilharia, ao todo, cerca de 12.000 tropas perto da Ossétia do Sul zona de conflito. A 4 ª Brigada realizava a principal missão de tentar capturar Tskhinvali, enquanto as Brigadas 2 e 3 davam apoio. De todas as unidades militares georgianas, a 4 ª Brigada sofreu as mais pesadas baixas. A 1ª brigada de infantaria, a única treinado a nível OTAN, serviu no Iraque no início da guerra. Dois ou 3 dias depois, os EUA, através da USAF, transportou a brigada de volta para a Geórgia, tarde demais para tomar parte na batalha de Tskhinvali.

Unidades implantadas:

• 1º Batalhão Mecanizado
• 1º Batalhão de Artilharia,
• 11º Batalhão de Infantaria,
• Unidades de apoio da 1ª Brigada de infantaria
• 2ª Brigada de Infantaria
• 3ª Brigada de Infantaria
• 4ª Brigada de Infantaria (ex-tropas do Ministério do Interior)
• 5ª Brigada de Infantaria (na Abkházia)
• Brigada de Artilharia conjunta (equivalente a 2 ou 3 Brigadas pelos padrões da OTAN)
• Batalhão de Tanques
• Brigada Militar de Engenharia
• Brigada de Forças Especiais
• Guarda nacional
• Departamento de Apoio Logístico do Exército
• Aviação
• Força Naval
• Guarda Costeira

Instrutores militares e suposto uso de mercenários estrangeiros - Com a eclosão da guerra dos 127 instrutores militares americanos, incluindo 35 civis contratados estavam presentes na Geórgia. Adicionalmente 1.000 homens dos EUA, 10 da Armênia, 10 Azerbaijão 10 da Ucrânia, tinham participado no exercício militar "Resposta Imediata 2008", que terminou apenas dias antes do conflito. Vários destes soldados ainda estavam no país. Os Comando Europeu americano, o EUCOM, declarou que não participou do conflito. O lado russo fez alegações de que pelo menos 1 cidadão americano lutou com as forças georgianas, alegando ter encontrado um passaporte americano dentro das posições de combate georgianos. A autenticidade do passaporte não foi contestado. No entanto, o proprietário do passaporte e as autoridades americanas negaram as alegações, dizendo que o passaporte havia sido foi perdido.

Ordem de Batalha Russa na Ossétia do Sul e Abkházia.
A ordem de batalha russa envolveu elementos significativos do 58º Exército Russo. De acordo com o Centro de Estudos Estratégicos Internacionais, o 58º Exército era uma das formações de primeiro escalão de combate da Rússia, possuindo mais do dobro do número de tropas, 5 vezes o número de tanques, 10 vezes o número de veículos blindados e 12 vezes o número de aviões de combate, a mais do que todas as Forças Armadas da Geórgia.

Setor Militar da Ossétia do Sul - (5.900)
• 1 º Batalhão de Infantaria da Ossétia
• 1º Batalhão Motorizado
• 1º e 3º Batalhões (4 D-30, 4 Akatsiya, 4 Gvozdika)
• 4º Batalhão de Artilharia da Ossétia (6 BM-21 Grad, 4 MT-12)
• Batalhão Spetsnaz
• 1º Batalhão de Apoio da Ossétia
(Nota: Os Batalhões variam entre 150 a 500 homens)

Forças de Paz Russas

• 600 soldados do 135º Regimento Motorizado de Rifles do 58º Exército
• 500 soldados Norte-Ossetas sob o Batalhão de Manutenção de Paz "Alania"

Do 58º Exército Russo

• 2 batalhões do 135º Regimento Motorizado de Rifles
• Membros do 693º Regimento Motorizado da Divisão 19ª Divisão de Rifles
• Membros da 42º Divisão Motorizada de Rifles
• Membros do 70º Regimento Motorizado de Rifles
• Membros do 71º Regimento Motorizado de Rifles
• Membros do Batalhão Especial Vostok
• Membros do Batalhão Especial Zapad
• Membros das Tropas Aerotransportadas (VDV)
• Membros do 104º e 234º Regimentos Aerotransportada 76ª Divisão de Pskov
• Unidades da 98ª Guarda da Divisão Aerotransportada de Ivanov
• Unidades do GRU:
• 1 Batalhão do 45º Regimento de Reconhecimento Spetsnaz
• Unidades da 10ª Brigada Spetsnaz
• Unidades da 22ª Brigada Spetsnaz

Do Setor da Abkhazia (até 9.000 homens):

• Membros da 7ª Divisão Aerotransportada de Novorossiysk
• Membros da 76ª Divisão Aerotransportada de Pskov
• Elementos da 20ª Divisão Motorizada de Fuzileiros
• 2 Batalhões de Fuzileiros Navais
• Unidades da 131ª Brigada Motorizada de Rifles (usadas como forças de paz)
• 1 Batalhão do 45º Regimento de Reconhecimento Spetsnaz de Moradia
• Forças Aéreas e terrestres da Abkhazia

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CONFLITO AÉREO NA GUERRA DA RÚSSIA CONTRA GEÓRGIA

Em 2008, 5 dias de conflito engalfinharam forças russas e georgianas nas obscuras Ossétia do Sul e Abkhazia. Eu já havia escrito alguma coisa sobre este conflito aqui, mas a edição mais recente (e final) da revista Helitac trouxe um artigo bastante rico sobre as operações aeromóveis que se desenrolaram neste conflito. O texto que se segue é embasado neste artigo de Alexander Mladenov, além de algumas outras fontes na internet. Um fato que merece destaque é que ambos os países tinham forças com equipamentos semelhantes ou pelo menos de gerações e níveis tecnológicos semelhantes. Ainda que pese a grande superioridade numérica da Rússia, que a conduziu à vitória militar em poucos dias, o que se viu foi um conflito entre forças armadas regulares organizadas, cada vez mais raro nestes tempos de contra-insurgência e contra-terrorismo. Falando exclusivamente da aviação de asas rotativas, os georgianos simplesmente não apareceram durante praticamente toda a campanha. A Geórgia dispunha de ao menos dez helicópteros Mi-24, sendo 6 deles compatibilizados para operação com NVG pela Elbit. Tinha também dezoito Mi-8 em várias versões diferentes e alguns UH-1H doados pelos EUA. Segundo fontes da Geórgia, houve quatro surtidas de Mi-24 e um deles foi perdido em um acidente. Um Mi-24 e um Mi-14 (ambas as células já não voáveis) também foram destruídas por tropas aerotransportadas russas na Base Aérea de Senaki. Os russos alegam que destruíram um Mi-24 e um Mi-8. A confusão entre os 2 modelos é bem compreensível no fragor da batalha. No front norte (Ossétia do Sul), desde o início da ofensiva, a tropa do 58º Exército Russo (6 a 10 mil homens) foi apoiada por 2 unidades de helicópteros, o 487º Regimento Independente de Helicópteros e o 344º Centro de Treinamento. São duas unidades de elite da Força Aérea Russa. O 1º combateu na Chechênia, sendo a 1ª unidade russa a operar com NVG e a 2ª é a unidade que mobilia o Centro de Treinamento de Emprego em Combate de Torzhok, onde os militares da FAB estão realizando os cursos do Mi-35M. Eu não sei dizer se é a mesma unidade que combate e que ministra os cursos. Se for, é uma arranjo bastante incomum. Foram empenhados aproximadamente doze helicópteros Mi-24P/V/PN e outros doze Mi-8MTV/MTKO. As aeronaves, baseadas em sua maioria na Chechênia, foram reunidas no aeródromo de Beslan (ao lado) e após isso desdobradas em bases avançadas. Todas as tripulações, sem exceção, tinham experiência em combate de contra-insurgência na Chechênia. Os russos, neste caso, passaram por um problema inverso ao que os Exércitos ocidentais vêm enfrentando: desde a década de 80, os russos estão combatendo insurgências no Afeganistão e nas ex-repúblicas soviéticas; são especialistas nisso. No Ossétia, porém, foi travado um combate regular com um inimigo que dispunha de uma moderna e bem adestrada artilharia anti-aérea. Logo no início do conflito, os Mi-8 foram utilizados para infiltrar o Batalhão de Forças de Operações Especiais Восток (Vostok) a partir da Chechênia para a capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali. Os Mi-8 foram também o principal vetor anti-carro russo. Operando à noite e armados com míssies 9M120 Ataka, atingiram uma média de três blindados destruídos em cada surtida nos arredores de Tskhinvali. Dois terços das perdas em blindados da Geórgia foram devidos aos ataques dos Mi-8 armados. Os Mi-24, que seriam a escolha “normal” para este papel, voaram quase que exclusivamente em missões de apoio aéreo aproximado às tropas que avançavam. Mesmo os Mi-24PN, compatibilizados para operação com NVG, voaram sempre durante o dia, provavelmente porque as operações terrestres estavam ocorrendo apenas durante o dia também. A configuração mais comum destas aeronaves trazia dois tanques de translado subalares e dois lançadores de 20 foguetes 80mm, além do canhão ou metralhadora orgânica. Um emprego bastante peculiar dos helicópteros foi como plataforma de GE. Usando equipamentos de MAE, os Mi-8 conseguiram neutralizar os radares das baterias 9K37M1 (Buk-M1), permitindo o ataque das aeronaves Tu-22M russas. Os Mi-8 de GE não estavam disponíveis em número suficiente em todo o TO e na ocasião em que não estiveram presentes, um Tu-22 foi abatido – certamente uma perda de valor considerável. No front oeste, a Abkhazia é outro território que não reconhece o governo da Geórgia. Os russos desembarcaram 9000 homens – fuzileiros navais e tropas aerotransportadas – no litoral da Abkhazia. Um assalto aeromóvel no vale do rio Kodori, conduzido por umas poucas aeronaves Mi-8T, conseguiu infiltrar tropas da Abkhazia na retaguarda das tropas de Geórgia, que abandonaram suas posições deixando para trás todo o equipamento pesado. Além das missões já citadas, os helicópteros também realizaram as demais atividades que lhes são comuns, como ligação de comando, C2, evacuação aeromédica e evacuação de feridos, suprimento aeromóvel etc.
Conclusões e lições aprendidas - O General Shamanov, Diretor de Treinamento em Combate das Forças Armadas Russas, avaliou que a dosagem ideal de aeronaves para esta operação seriam dois regimentos – aproximadamente 30 Mi-8 e 30 Mi-24. A falta de helicópteros atrasou principalmente o avanço das tropas através das montanhas ao norte de Tskhinvali. O que salta aos olhos é o emprego dos Mi-8 como vetores de armas. Podermos especular algumas razões. A mais óbvia é a falta de aeronaves de ataque no TO. Dessa maneira, as aeronaves dedicadas foram vocacionadas para as missões onde realmente fariam a diferença – estando mais expostas ao risco – e as missões menos exigentes ficaram com as aeronaves adaptadas. Vale lembrar que, embora o Mi-8 não seja uma aeronave de ataque, é uma configuração bastante comum na Rússia dotá-la de armamentos axiais. Outro aspecto que vale a pena ressaltar é que o baixo adestramento das tripulações russas foi uma das principais causas dos acidentes e da pouca eficácia das operações aeromóveis tanto na primeira como na segunda campanha da Chechênia. Ao que parece, os russos andaram fazendo a lição de casa, mesmo apesar das grandes restrições orçamentárias que vêm sofrendo. Várias aeronaves de asa fixa foram abatidas pela artilharia antiaérea georgiana e pelo fogo amigo. Contudo, nenhum helicóptero foi perdido, seja abatido, seja por fratricídio, seja por acidente. A artilharia antiaérea foi evitada principalmente pelo voo a alturas extremamente baixas (provavelmente usando técnicas de voo de contorno e voo desenfiado). Isso vai ao encontro do que eu já disse em algumas ocasiões que a segurança do helicóptero reside principalmente nas TTP do que na blindagem ou tecnologia da aeronave. Podemos ainda atestar o adestramento destas unidades de aviação pois uma mesma unidade, usando os mesmos Mi-24, configurou-os de uma maneira diferente e operou também de maneira diferente do que vinha sendo visto na Chechênia e ainda assim obteve excelentes resultados. Outro fato notório foi o assalto aeromóvel conduzido no Vale do Kodori. Esta operação foi realizada unicamente com as forças da Abkhazia – 4 ou 5 helicópteros e 300 reservistas. Um planejamento cuidadoso, o emprego judicioso do terreno e a oportunidade da execução permitiram a estas forças bastante limitadas cercar as forças georgianas bem mais poderosas que, pressionadas pelas forças russas vindas do litoral, se renderam praticamente sem combater: houve 1 baixa do lado da Abkhazia e 2 do lado da Geórgia. Certamente o helicópteros fizeram a balança pender mais ainda para o lado dos russos. Mas uma pergunta que ficou no ar: o que teria acontecido se a Geórgia tivesse empregado seus helicópteros? Teria sido uma excelente oportunidade de avaliar a capacidade dos helicópteros em multiplicar o poder de combate das forças terrestres contra um inimigo mais forte.
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