HMS Agincourt, um navio "brasileiro" na Batalha da Jutlândia

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HMS Agincourt, um navio "brasileiro" na Batalha da Jutlândia

Mensagem por Dornberger em Ter Set 03, 2013 9:01 am


O Encouraçado Rio de Janeiro, segundo navio da Marinha do Brasil a ostentar esse nome em homenagem ao estado e cidade homônima, foi mandado construir no apogeu do que poderia ser chamado a “Mania dos Encouraçados”, entre os principais paises da América do Sul – Argentina, Brasil e Chile.
Não levando em conta considerações geográficas e econômicas, o Brasil ordenou os poderosos Dreadnoughts Minas Geraes e São Paulo (12 canhões de 12 pol., cada) em 1907.
Para não ficar atrás, a Argentina ordenou dois navios similares a serem construídos nos EUA, o ARA Rivadavia e o ARA Moreno. Apesar dos navios argentionos, terem entrado em serviço apenas em 1915, o Brasil procurou manter sua supremacia encomendando um Encouraçado ainda maior.
O tamanho das fantasias brasileiras podia ser medido pelos projetos em consideração, que iam de 27.500 toneladas com quatorze canhões de 12 pol., passando por um de 31.600 ton com 12 canhões de 14 pol., um semelhante com oito canhões de 16 pol., chegando finalmente ao Riachuelo de 31.250 ton. e dez canhões de 15 pol.
Depois de muito debate, e de ser ordenada a construção do projeto de 32.000 tons. foi decidido alterar-se para o projeto de 27.500 tons. na gestão do Ministro da Marinha, Almirante Belfor Vieira, em outubro de 1910, a um custo estimado de £2.725.000. Único navio de sua classe, teve a quilha batida em 14 de setembro de 1911, no estaleiro Armstrong, Mitchell & Co., em Elswick (Newcastle-on-Tyne), Reino Unido, sob a fiscalização da Comissão Naval Brasileira em Newcastle, chefiada pelo Almirante Huet Bacellar, sendo lançado ao mar em 22 de janeiro de 1913.
Seus canhões de 12 pol., foram construídos especialmente a pedido do Brasil. Tinham uma cadencia de 1.5 tiros por minuto e alcançavam 18.000 metros. Com suas chaminés bem espaçadas e com um convés superior de embarcações, tinha um perfil singular.

Com o retorno do Almirante Alexandrino Faria de Alencar a pasta da Marinha, o navio foi rejeitado, pois não satisfazia as ideias originais do projeto do terceiro Dreadnought brasileiro concebida em 1906 na gestão do mesmo.
Antes de sua conclusão, foi cedido à Turquia que o batizou Sultan Osman I, em 14 de janeiro de 1914 por aproximadamente US$ 10.900.000 (£2.100.000).
Contribuiu para essa revisão de postura a situação econômica do Brasil no período. O preço do café caiu 20% e as exportações brasileiras do produto sofreram uma queda de 12,5% entre 1912 e 1913; a borracha teve um desempenho similar, com declínio de 25 e 36.6%, respectivamente. No caso da borracha, a competição com as plantações do Extremo Oriente levaria à quebra definitiva do monopólio da borracha amazônica.
Completado em julho de 1914, sofreu vários atrasos em sua construção para evitar que fosse entregue aos turcos antes que a situação mundial se acalmasse.
Com a eclosão da 1ª Guerra Mundial, foi confiscado pelo Governo inglês em agosto de 1914 e incorporado a Royal Navy, sendo batizado como HMS Agincourt.
O HMS Agincourt, foi o quinto navio a ostentar esse nome na Royal Navy.
Com uma blindagem muito fina e um armamento pesado demais, não justificava o valor a ser pago pelos seus donos originais, a Marinha do Brasil, e certamente era um meio de utilidade questionável para a Royal Navy.
Contudo, o Agincourt/Rio de Janeiro, quebrou uma serie de recordes: o maior encouraçado do mundo; maior numero de canhões embarcados; o armamento secundário mais pesado e finalmente o maior numero de donos em um ano.

Apesar de sua cinta blindada ser menos espessa que em outros Encouraçados contemporâneos da RN, o Agincourt tinha uma blindagem com chapas de 6 pol. no convés superior, melhor do que a dos primeiros Dreadnoughts, e estava além dos padrões usados na época.
Sua maior vantagem era o volume avassalador de fogo que podia despejar sobre o alvo , e apesar de ter sido acusado de não ser capaz de agüentar o choque provocado pelo disparo de suas armas ao mesmo tempo, o Agincourt chegou a dar bordadas completas na Jutlandia, confundindo seus detratores.
De acordo com testemunhas o lençol de chamas produzido por essas bordadas davam a impressão de uma explosão de um Cruzador de Batalha!
Em 7 de setembro de 1914, o HMS Agincourt integrou-se ao 4º Esquadrão de Batalha da Grande Esquadra.
Quando de sua incorporação sofreu modificações, com o convés de embarcações sendo retirado e as embarcações colocadas no convés principal, para limpar o campo de tiro das torretas centrais.
Em maio de 1916, participou da Batalha Naval da Jutlandia, integrando a 6ª Divisão do 1º Esquadrão de Batalha. A 6ª Divisão era composta também pelos Encouraçados HMS Marlborough, HMS Revenge e HMS Hercules, e tinha a particularidade de seus navios terem armamento principal com calibres diferentes, 15 pol., 13.5 pol. e 12 pol. Durante a batalha fez 144 disparos de 12 pol., sem sofrer nenhum golpe e sem vitimas.
Foi descomissionado em 1919 e em 19 de dezembro de 1922, foi vendido para ser desmanchado como sucata para cumprir os termos do Tratado Naval de Washington, não se concretizando os rumores de que seria revendido ao Brasil.
FONTES: NAVIOS DE GUERRA BRASILEIROS e WIKIPEDIA
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Re: HMS Agincourt, um navio "brasileiro" na Batalha da Jutlândia

Mensagem por Erich Raeder em Qua Set 04, 2013 5:00 pm

Belo navio.
Ele tem um recorde histórico.
É o único encouraçado que já foi construído com armamento principal configurado em 7 torres e 14 canhões.

A maior bordada de canhões existente.

Att.

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Re: HMS Agincourt, um navio "brasileiro" na Batalha da Jutlândia

Mensagem por Dornberger em Qui Set 05, 2013 10:25 am

Erich Raeder escreveu:Belo navio.
Ele tem um recorde histórico.
É o único encouraçado que já foi construído com armamento principal configurado em 7 torres e 14 canhões.

A maior bordada de canhões existente.

Att.

Raeder
As torres do Agincourt eram chamadas informalmente pelo nome dos dias da semana: a torre da proa era Domingo, a próxima Segunda-feira e assim por diante. Aparentemente essa prática veio da época em que o navio estava sendo construido para o Brasil. Aliás, até o fim de sua carreira era necessário algum conhecimento de português a bordo: nunca conseguiram trocar todas as placas e inscrições originais do navio. A sala de máquinas e as caldeiras eram especialmente problemáticas!
Outras partes do navio eram lembranças do tempo em que os turcos iriam comprá-lo: as instalações sanitárias eram do tipo oriental, com bacias turcas ao invés de assentos sanitários ao estilo ocidental (se bem que no meu tempo de quartel ainda se usava esse tipo de lavabo nos meios militares, então é possível que na verdade essas instalações fossem as encomendadas pelo Brasil!).
Os alojamentos do navio eram claramente projetados para uma sociedade classista: os dos oficiais eram palacianos, os dos praças verdadeiras senzalas.
Coincidência ou não, foi exatamente assim que os britânicos tripularam o navio. A oficialidade veio quase toda da tripulação dos iates reais; a marujada veio da ralé, inclusive com alguns criminosos indultados das prisões da Marinha.
A tomada do Agincourt e de outro encouraçado turco, o Resadiye (que se tornou o HMS Erin), de uma Turquia ainda neutra foi provavelmente um dos fatores (não o mais importante) que empurraram o Império Otomano para a guerra ao lado das Potências Centrais. Houve inclusive um considerável clamor da opinião pública turca, já que os navios tinham sido parcialmente financiados pela compra de bônus pela população. Os alemães aproveitaram a ocasião para doar aos turcos o cruzador de batalha SMS Goeben, que já estava perdido de qualquer modo, ganhando mais pontos com os otomanos.
E a propósito, a tomada dos navios turcos foi mais uma jogada do Primeiro Lorde do Almirantado, sempre ele, Sir Winston Spencer Churchill!
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Re: HMS Agincourt, um navio "brasileiro" na Batalha da Jutlândia

Mensagem por Langsdorff em Qui Set 05, 2013 11:30 am

FATO!
Sabiam que a marujada turca já estava na Inglaterra prontinha para assumir os dois navios??
Foi um merdêro internacional, mas ali WSC botou o pau na mesa e disse a que veio !!
Aliás, ele sempre teve certa 'quedinha' pela Turquia! Lembre-se da Aventura de Dardanelos...
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Re: HMS Agincourt, um navio "brasileiro" na Batalha da Jutlândia

Mensagem por Winston Churchill em Qui Set 05, 2013 12:35 pm

Ele sempre adorou uma turca nariguda, huahauahauahau

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"I will begin by saying what everybody would like to ignore or forget but which must nevertheless be stated, namely that we have sustained a total and unmitigated defeat, and France has suffered even more than we have....the German dictator, instead of snatching the victuals from the table, has been content to have them served to him course by course."
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Re: HMS Agincourt, um navio "brasileiro" na Batalha da Jutlândia

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