O programa IGLOO WHITE e a interdição da Trilha Ho Chi Mihn

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O programa IGLOO WHITE e a interdição da Trilha Ho Chi Mihn

Mensagem por Dornberger em Sex Ago 23, 2013 8:39 am

Com a intensificação do envolvimento americano no Vietnã entre 1964 e 1965, cresceu a preocupação dos militares americanos com o abastecimento da insurgência sul-vietnamita pelo Vietnã do Norte comunista.
Bloquear a estreita Zona Desmilitarizada entre os dois Vietnãs era relativamente simples e patrulhas navais conseguiam limitar efetivamente o contrabando de suprimentos pela costa.
No entanto, bloquear o abastecimento do vietcongue pelas selvas do Laos e Camboja se mostrou muito mais problemático.
Os norte-vietnamitas gradualmente construiram uma teia de caminhos e estradas através da região, apoiada por instalações logísticas a cada dia mais sofisticadas, formando o que ficaria conhecido como "Trilha Ho Chi Minh".

A neutralização da Trilha era vital para a derrota da insurgência sul-vietnamita.
A tecnologia militar havia avançado consideravelmente nas décadas seguntes à Segunda Grande Guerra, criando uma fé quase cega em sua eficiência. Tecnologia, se esperava, seria suficiente para criar uma barreira ao longo da fronteira do Vietnã do Sul capaz de interromper o fluxo de suprimentos pela Trilha.
Em agosto de 1966 um grupo de pesquisa de Defesa chamado "Jason Group" foi designado para estudar o problema.
A proposta previa o uso de poder aéreo como ferramenta. Sensores seriam dispersados pela região para registrar a movmentação dos alvos e os controladores de ataque direcionariam as aeronaves para a destruição.
Em setembro de 1966 o Secretário de Defesa Robert McNamara criou o "Defense Communications Planning Group" para desenvolver o conceito.
A tecnologia para os sensores parecia estar mais ou menos disponível. As aeronaves de guerra anti-submarina americanas usavam um sistema chamado "Jezebel" para caçar seus alvos, que consistia de sonobóias com hidrofones lançadas no oceano para rastrear acusticamente submarinos. Estas sonobóias transmitiam os sons captados para o sistema de processamento à bordo das aeronaves ASW, que os comparava com uma biblioteca de "assinaturas acústicas" de contatos conhecidos.

A tecnologia de sonobóias podia ser adaptada para uso em terra substituindo os hidrofones por microfones ou sensores sísmicos e empacotando o conjunto para que ele penetrasse no solo ao ser lançado. O lançamento seria feito de aeronaves ASW adaptadas para operar em terra, podendo também os sensores ser em instalados em locais escolhidos por forças de terra.
O sistema foi chamado de "ALARS (Air Launched Acoustical Reconnaissance)" ou "TRIM (Trails and Road Interdiction, Multi-sensor)", e mantido sob estrito sigilo.
A tecnologia era apenas parte do programa. Óbviamente, alguma organização militar precisava assumir a missão de implementar a barreira, lançar os sensores, coletar e interpretar os sinais e chamar as aeronaves de ataque em resposta. Uma Força-Tarefa conjunta Força Aérea-Marinha-Exército foi organizada para a tarefa, inicialmente chamada de "Joint Task Force 728".
No princípio, a Marinha  cuidava do lançamento dos sensores e dos ataques aéreos; essa operação foi chamada pelo codinome "DUAL BLADE", depois mudado para "DYE MARKER" e novamente alterado para "MUSCLE SHOALS". Após a transferência dessa missão para a Força Aérea em junho de 1968, o programa recebeu o nome pelo qual ficaria conhecido:"IGLOO WHITE". A organização por trás dele ficou conhecida como "Task Force Alpha".
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Re: O programa IGLOO WHITE e a interdição da Trilha Ho Chi Mihn

Mensagem por Winston Churchill em Sex Ago 23, 2013 8:48 am

Continue mesmo pq ta muito bom

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Re: O programa IGLOO WHITE e a interdição da Trilha Ho Chi Mihn

Mensagem por Dornberger em Sex Ago 23, 2013 2:39 pm

Os sensores eram a base de IGLOO WHITE. Uma vasta gama de tecnologias de sensores foi avaliada e muitas testadas em campo, mas IGLOO WHITE dependia basicamente de sensores sísmicos, com o uso secundário de microfones para escutar os arredores, A Marinha chamava os sensores sísmicos de "spikebuoys" e os acústicos de "Acoubouys", uma referência às sonobóias (sonobuoys) que originaram.

A base dos sensores sísmicos era um transdutor de vibração conhecido como "geofone", similar a um microfone: um magneto montado num diafragma móvel que captava vibrações, movendo o magneto dentro de uma bobina elétrica para produzir um sinal elétrico correspondente. A diferença é que o geofone é montado de modo a captar vibrações sísmicas do solo, enquanto o microfone capta vibrações sonoras da atmosfera. Geofones foram desenvolvidos para a exploração de petróleo e eram uma tecnologia madura, eram sensíveis o suficiente para captar passos humanos a 30 metros, e ao mesmo tempo resistentes o bastante para tolerar o impacto do lançamento para o solo à partir de um avião.
A sensibilidade e confiabilidade dos geofones não eram problema: o difícil era separar os sinais de interesse do barulho causado por atividade sísmica natural, tempestades, combate, e em particular do grande número de helicópteros americanos operando na região. Por isso alguns dos sensores continham também microfones, na esperança de captar o barulho de caminhões ou conversação para ajudar a avaliar a situação.
Usualmente os sensores era lançados em cadeia ao longo da Trilha. Barulho sísmico natural seria captado por todo um grupo de sensores próximos simultaneamente, enquanto que tráfego de veículos ou outro evento humano se moveria de sensor para sensor. Conhecendo-se o espaçamento dos sensores, a direção, velocidade e tamanho de um comboi de caminhões ou grupo de transporte poderia ser estimada.
Havia um número de diferentes configurações de sensores. O primeiro tipo em produção foi o "Seismic Intrusion Detector (SID)", uma caixa colocada no lugar por forças de terra. Sendo a primeira tentativa, ela sofria de altos níveis de ruído e deixava a desejar. Foi seguida pela versão aperfeiçoada, "Ground SID (GSID)", e por uma versão aumentada "HANDSID", empregada em pequeno número. Havia também o "Patrol SID (PSID)" que podia ser carregada na mochila de um soldado, com sensores e um controle alimentado por baterias.
Mas o sensor mais associado ao IGLOO WHITE foi o "Air Delivered SIDs (ADSIDs)", construidos na forma de estacas reforçadas pintadas em padrões camuflados (caso não conseguissem penetrar totalmente no solo) e uma antena camuflada como vegetação de plástico se projetando de sua base.

Havia um número de variantes e modelos, algumas incorporando microfones acústicos chamados de "ACOUSIDs". O menor deles tinha comprimento de 51 centímetrose e peso de 6,2 kg, o maior 1,35 metros e peso de 17,6 kg . Havia uma variante, "MODS81", que podia ser lançada por morteiro 81mm.
Os ADSIDs eram construidos modularmente, com diversas configurações possíveis. Os GSIDs aparentemente usavam os mesmos módulos. O sensor transmitia com potência de 2 watts em um de 40 canais na faixa de 160/175 MHz. Dezenas de milhares de ADSIDs foram lançados. A taxa de sobrevivência dos ADSIDs pós-lançamento era de 80%. A vida útil da bateria permitia 45 dias ou mais de operação, dependendo do modo de operação utilizado.
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Re: O programa IGLOO WHITE e a interdição da Trilha Ho Chi Mihn

Mensagem por August von Mackensen em Sex Ago 23, 2013 4:00 pm

Sensacional!

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Re: O programa IGLOO WHITE e a interdição da Trilha Ho Chi Mihn

Mensagem por Dornberger em Seg Ago 26, 2013 10:49 am


Os sensores eram os "olhos" de Igloo White. Mas o sistema tinha também "nervos", "cérebro" e "punho".
Vejamos primeiramente como os "nervos" de comunicação conectavam os sensores ao cérebro.
Como o alcance de transmissão dos sensores era limitado a 20 milhas (32 quilômetros) no máximo, era necessário o uso de repetidores de sinal, instalados em aeronaves que orbitavam a zona monitorada e retransmitiam o fluxo de dados dos sensores numa base de 24 horas diárias.
Inicialmente essa missão era executada por aviões EC-121R

Uma versão especializada do avião-radar EC-121 Warning Star, adaptado à partir da versão militar do Lockheed Constellation, os EC-121R tinham o codinome "BatCat". 30 deles foram convertidos a partir dos Warning Star originais pertencentes à US Navy. Operando entre 1967 e 1970 da Tailândia em vôos de 18 horas de duração, os BatCat cobriam 8 órbitas de vôo sobre o Vietnã do Sul, Laos, Camboja e Golfo de Tonquim numa escala 24/7 voando a 20.000 pés (6.100 metros) de altitude.
Dois deles foram perdidos em acidentes de pouso e decolagem, com a morte de toda a tripulação.
Gradualmente os EC-121R foram substituidos pelos QU-22 "Quaker", desenvolvidos pela USAF sob o programa "Pave Eagle".

Uma versão do popular avião leve Beechcraft Bonanza, o QU-22, apelidado de "Baby Batcat", foi concebido para ser operado como um drone, totalmente por controle remoto, com toda a navegação e retransmissão de dados dos sensores ocorrendo automaticamente. Por razões de segurança, optou-se por operá-las com um piloto humano respondendo pelo pouso e decolagem e supervisionando a operação do sistema durante a missão. 27 QU-22 operaram sobre a Trilha Ho Chi Mihn, com 6 sendo perdidos em combate com a morte de dois pilotos, todos por falha técnica ou acidentes de vôo.
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Re: O programa IGLOO WHITE e a interdição da Trilha Ho Chi Mihn

Mensagem por Dornberger em Seg Set 02, 2013 1:02 pm

A maior inovação do Igloo White era o seu "cérebro", um gigantesco centro de comando e controle construido em anexo à base aérea de Nakhon Phanom, Tailândia. O "Intelligence Surveillance Center (ISC)" não ficava devendo nada em termos de estrutura e equipamento aos centros de comando do SAC, Comando Aéreo Estratégico, nos EUA continentais.

O maior prédio em uso militar no Sudeste asiático em seus dias, o ISC tinha ar condicionado e climatização centralizada, com comportas de ar, filtros e pressão positiva, para proteger os delicados equipamentos de comunicação e computação em seu interior. A maior parte das instalações era subterrânea, o teto protegido com contêiners cheios de terra como defesa contra ataques de foguetes e morteiros.
Mesmo assim, consta que cobras conseguiam ocasionalmente se infiltrar nas instalações...
Um par de computadores "mainframe" IBM /360 modelo 65, o topo de linha disponível na época, processavam os dados recebidos, um deles cuidando dos dados dos sensores propriamente ditos, o outro integrando dados de outras fontes (como observação de aeronaves e relatórios de equipes de terra) e servindo como back-up em caso de defeito do processador principal.

A função dos computadores era compilar e organizar a enorme massa de dados produzida pelos sensores. A atividade registrada era exibida em monitores de computador (IBM 2250, o mesmo tipo usado nas instalações de defesa aérea nos EUA) como um rastro branco numa grade de coordenadas. Analistas humanos interpretavam os dados no monitor, avaliando velocidade, direção e localização exata do contato e  mantinham atualizado um mapa tático da zona de operações numa tela de plexiglas de 7,3 por 2,75 metros.
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